Amazonas – Hotel de Selva

Quem acompanha o Instagram do Dicas SP, sabe que estou devendo este post.

Seguinte, em maio, eu e o namorado resolvemos ir para Floresta Amazônica. É bem verdade, que decidimos em cima da hora e conhecer a selva não estava entre os principais destinos da minha lista de viagem.

A ideia inicial era ir para o nordeste, mas daí o namorado, que não é brasileiro, surgiu com a ideia da Floresta Amazônica e eu adorei. Começamos a pesquisar. Queríamos ficar bem no meio da floresta, então, a melhor alternativa era um hotel de selva.

 

Floresta inundada

Trecho da floresta inundada no caminho para o Juma

 

O primeiro que pesquisamos, foi o tradicional Ariaú. Porém, as reviews não estavam muito boas e a gente também não gostou muito. O Ariaú foi o primeiro hotel de selva, mas hoje em dia tem vários. Acabamos ficando entre dois, o Juma e o Anavilhanas.

O Anavilhanas tem uma pegada mais luxuosa dentro na mata, já o Juma oferece um maior contato com a natureza e dizem ser hoje o hotel mais no meio da floresta de todos.

Como era nossa primeira vez na Amazônia, resolvemos optar por um contato maior com a natureza e escolhemos o Juma. Não nos arrependemos da escolha, mas é bom deixar claro, que não é um hotel de luxo e ele oferece o mínimo de conforto para se hospedar na floresta. Tipo, é mais confortável que acampar.

 

Juma

Vista dos chalés com vista para o rio

 

Normalmente, os hotéis de selva já fecham o pacote com todos os passeios incluídos. Caminhada na floresta, pescar piranha, focagem de jacaré, observar pássaros, são os passeios básicos dos pacotes. Além desses, acabamos fechando dois passeios extras, escalada de árvore e nadar com boto. Super valeram a pena e estão super recomendados.

Ah! Além dos passeios, no Juma, também estão incluídos todos os transportes (pegar no aeroporto, ida para o hotel, volta…) e todas as refeições.

Mas vamos lá. Fechamos o pacote de 4 dias e 3 noites. O recomendado é chegar em Manaus um dia antes do check-in no hotel e foi o que fizemos.

No dia seguinte da chegada em Manaus, uma pessoa que trabalha para o Juma foi nos buscar e começamos nossa saga até chegar no meio da floresta. De Manaus, pegamos um barco por mais ou menos 40 minutos para atravessar o Rio Negro e o Rio Solimões. Então, já é possível ver o encontro das águas. Chegando do outro lado, a gente pega uma Kombi e anda por volta de mais 1 hora. A maior parte por estrada de terra. Então, pegamos mais um barco por mais umas 2 horas e finalmente chegamos no Juma.

 

Barraca do Seu Armênio. Última parada antes de pegar o barco para floresta

Barraca do Seu Armênio. Última parada antes de pegar o barco para floresta

 

O encontro das águas é bem interessante. O caminho por Kombi, não achei nada demais não. Mas quando pegamos o segundo barco, que já estamos na floresta, é lindo!

Como fomos em maio, época de cheia, a floresta fica inundada na maior parte. Então, é lindo passar pela floresta inundada. É incrível, parece rio, mas quando você olha para baixo, é possível ver a floresta embaixo de toda aquela água.

 

Igarapé

Caminho para o Juma

 

Para vocês terem uma idéia, o Juma fica sob palafitas, que a gente não conseguiu ver, pois estavam cobertas por água. Nos falaram que a diferença entre a época de seca e a de cheia, chega a quase 20m!

 

Juma

Palafitas que ligam todas as áreas do hotel

Juma

Palafitas que ligam todas as áreas do hotel

 

Também nos falaram que durante a cheia é quando a floresta fica mais bonita. Bom, eu achei linda!

Mas voltando. Não sei se foi porque fomos em baixa temporada, mas o hotel estava vazio. E eu era a única brasileira. Sim, só tinha gringo.

Como as pessoas fecham diferentes pacotes, todos os dias tinha gente indo embora e chegando. Mas enquanto estávamos lá, a média era de 5 pessoas por dia, incluindo eu e meu namorado.

O Juma é bem pequeno, o que permite um clima de hotel mais familiar. A comida é bem gostosa, simples, mas gostosa.

Os quartos são ok. A cama é confortável, mas sentimos falta de um dossel ou algo do tipo para impedir insetos a noite. Outra coisa, nós pegamos um dos quartos que estão virados para o rio, que eram os únicos que tinham banheiro com água quente, mas na verdade não tinham não. Ok, é bem verdade que é tão quente, que não foi um problema, mas eu preferiria que tivesse água quente. Outra coisa que me incomodou no quarto, foi a parede do banheiro, que não ia até o teto, então, era praticamente como se o banheiro fosse aberto para o quarto. Acho um tanto quanto desnecessário isso. Mas tirando essas questões do quarto, o hotel é legal sim.

 

Juma

Varanda do quarto

 

Como o hotel já fecha o pacote com todos os passeios, eles já possuem os guias deles também. Infelizmente, também não tivemos muita sorte nesse quesito. Nosso guia era o Mateus. Ele não era de todo ruim, mas deixou muito a desejar. Parecia que ele estava ali apenas fazendo o que foi mandado, sem se importar nenhum um pouco com o grupo que ele estava. Em determinados momentos, ele também era muito grosseiro. Depois, de uma hora para outra, melhorava. Sei lá, acho que se o guia estivesse mais contente com o trabalho dele, teríamos curtido mais.

Pela terceira vez, voltando. Agora vamos aos passeios. A ordem dos passeios, não ocorrem como eles colocam no site. Eles vão fazendo de acordo com as pessoas que vão chegando, mas no final, dá tudo certo. É sempre com a seguinte rotina, café da manhã das 7h às 8h, depois sai para uma atividade. Volta para o almoço. Fica no hotel até às 15h, sai para mais uma atividade. Volta para jantar e se tiver atividade a noite ok, caso contrário, a gente ficava pela recepção do hotel tomando uma cerveja.

Logo na primeira noite, fomos fazer a focagem de jacaré. É legal. O guia pára em determinado momento e pega um jacaré filhote. Todos podem segurar. Sim, parece um monte de criança. No dia seguinte fomos caçar piranha, que infelizmente não deu certo. Ninguém conseguiu pescar. Depois, outro dia, a gente pediu para tentar pescar piranha no hotel mesmo e conseguimos. Na verdade, o namorado conseguiu pescar 3 e elas foram nosso jantar naquela noite. Aliás, nunca imaginaria que piranha fosse tão bom. Vale a pena experimentar.

 

Focagem de jacaré à noite

Focagem de jacaré à noite

Pescando piranha no próprio hotel

Pescando piranha no próprio hotel

 

Daí fomos andar na floresta. Foram 3 horas andando na floresta. É interessante, eu gostei. Mas chega um determinado momento que você não sabe mais se está dando volta em círculos ou se realmente vão chegar a algum lugar. É tudo muito igual. É o tempo inteiro aquela sensação de “eu já passei por aqui antes”. O namorado sofreu muito com a umidade, tanto que ele não entrou mais na floresta depois disso. Fora a quantidade de mosquito. Tem que passar repelente. Bom, mas é uma caminhada muito bonita.

 

Começando a caminhada na floresta

Começando a caminhada na floresta

Depois de 3 horas andando pela floresta, pausa para o descanso

Depois de 3 horas andando pela floresta, pausa para o descanso

 

Fora os passeios básicos, o que mais gostamos foi a escalada de árvore e nadar com o boto.

A ideia de escalar árvore foi do namorado, mas é bom avisar que nós dois temos pavor de altura. Mas sabe-se lá como, ele conseguiu me convencer. A gente escalou uma castanheira de 40m bem no meio da floresta. Foi MUITO legal. A maneira que você escala é como se fosse um rapel ao contrário. Você decide seu ritmo, portanto consegue ir se acostumando com a altura. Como a escalada é um passeio extra, quem faz é a Amazon Tree Climbing, um dos parceiros do Juma. O serviço deles é demais. Nossos guias, Igor e Mateus (outro Mateus), foram super atenciosos e não ficaram nos apressando em nenhum momento. Gente, entendam, meu medo de altura é tão grande que eu cheguei ao ponto de chorar. Enfim, parece que o Juma tem outro parceiro para escalada, mas eu recomendo fortemente a Amazon Tree Climbing. Foi definitivamente, a melhor experiência da floresta!

 

Escalada árvore

Cordas já preparadas para começarmos a escalada

Começando a escalar a árvore

Começando a escalar a árvore

 

Nadar com o boto, também foi uma delícia. Este passeio é feito na volta, não na área do hotel. A gente voltou para Manaus e nos levaram em outro ponto do Rio Negro, mais ou menos uma hora de Manaus. É bem no meio do Rio Negro. Tem uma plataforma, e os botos são atraídos para ela através de peixes. No começo assusta um pouco, mas depois você acostuma e eles são muito fofos.

 

Boto

Voltando a ser criança com os botos

 

Voltamos para São Paulo super cansados mas felizes. Acabou sendo uma viagem rápida, mas intensa. E eu adorei ter conhecido a Floresta Amazônica. Vem gente do mundo inteiro conhecer, e a gente, brasileiro, acaba nunca indo. Acho que vale a pena considerar como destino para a próxima viagem. Fica a dica pessoal 😉

 

Juma

Vista da recepção do Juma

 

Dicas Extras

– Leve repelente. Recomendo o Exposis, pois achamos o mais forte.

– Não pode beber a água da torneira. Até para escovar os dentes, é preciso usar água engarrafada. O hotel disponibiliza essas garrafinhas para isso.

– Usar filtro solar o tempo todo.

– Leve chapéu e capa de chuva.

– Um binóculos também é legal levar.

– Para caminhar na mata, levar calça com tecido grosso, bota e blusa de manga comprida. É recomendável colocar a meia por cima da calça. Sim, gente, esqueçam o glamour. Quando as formigas estiverem subindo pelo seu pé, você vai agradecer essa dica.

– Também é recomendável tomar um banho gelado antes de caminhar na mata.

– Se possível, fique um dia a mais para poder descansar.

– No Juma tem um bar na recepção, mas eles não aceitam nenhum tipo de cartão. Portanto leve dinheiro.

– Leve roupa de banho para poder nadar no rio. Sim, pode nadar e a água é uma delícia.

– Leve uma bolsa com remédios. Eles não tem nada disso no hotel e eu era a única com remédio.

– É muito difícil ver onça, cobra etc. O que acabamos vendo mais são insetos, pássaros e macacos.

– No hotel não pega telefone, internet, nem tem televisão. Sim, a ideia é estar totalmente em contato com a natureza e se desconectar. Aproveite 😉

 

 

 

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