
Preciso falar que este local não é assim, totalmente inédito. Já fui ao Bar Léo uma vez, há muito tempo atrás e fiquei uma meia hora. Ontem, voltei lá a convite da Sociedade da Cerveja, para a festa de comemoração do prêmio “Um Bar, Muitas Histórias” que o Bar Léo ganhou. Ontem que realmente conheci o bar, por isso, ele está aqui, fazendo parte do SP 365.
Mas vamos lá, o concurso “Um Bar, Muitas Histórias”, realizado pela Sociedade da Cerveja, é um movimento que visa ampliar o conhecimento sobre cerveja pelos seus apreciadores. Donos de bares de todo o país contaram histórias inusitadas, divertidas e originais sobre fatos ligados a cultura nacional e tradição de boteco que aconteceram em seus estabelecimentos. E o vencedor foi o Bar Léo, que ganhou devido a dois fatos curiosos, foi o bar que criou o copo de chope usado em todo o país, também conhecido como caldereta e, entre seus funcionários, está Seu Luís, o garçom mais antigo em atividade em São Paulo.
O bar tem mais de 70 anos e o seu Luís já está por lá há mais de 50. Com 92 anos, ainda bem disposto, adora contar “causos” que já ocorreram no Bar Léo. Por exemplo, quando Jânio Quadros, que era seu freguês e amigo, estava almoçando por lá e um jornalista que escreveu uma matéria que não agradou o ex Presidente chegou na porta do bar, Jânio levantou da mesa e foi atrás do tal jornalista. Seu Luís também adora tomar um “chopes” quando não está trabalhando e acha que o melhor petisco do bar é o Hackpeter, canapé de carne crua.
Além do Seu Luís, que é uma graça de pessoa, o que mais me chamou atenção no Bar Léo é o ambiente, o clima de amigos que se encontram por lá. As pessoas são bem receptivas e estão dispostas a dividir o que acham de melhor no bar. Frequentam o Bar Léo há 20, 30, 40, 50 anos. Gente, que vai lá desde os 5 anos de idade e hoje volta com os filhos. Pessoas como o Armando, que tem lojas na Santa Efigênia e, claro, antigo frequentador do Bar Léo. Ele nos apresentou o sanduíche de carne crua, seu petisco favorito do bar e nos contou que no início somente homens podiam ficar ali, mulheres eram proibidas. Se chegasse uma mulher, ninguém atendia. Até quem uma vez, uma delegada chegou lá para tomar uma cervejinha e os garçons se recusaram a atendê-la. A briga foi feia e o bar acabou tendo que atender as mulheres.
E numa dessas felizes coincidências que acontecem na vida, conhecemos Miriam Petrone, que foi a primeira mulher a entrar no Bar Léo desacompanhada. Ela tinha 23 anos na época e ontem estava lá com o marido, Claudio, e a filha de 14 anos, Rebeca. Miriam nos contou histórias antigas do bar, como, por exemplo, quando existia a mesa dos aposentados. O bar podia estar lotado, sem lugar para sentar, mas todos respeitavam a mesa dos aposentados. Agora para quem quer comer a família recomenda sem dúvida alguma o sanduíche de carne crua. Também recomendam o bacalhau e o bolinho de bacalhau servidos às sextas-feiras no almoço. Miriam fala que o que torna o Bar Léo único, é que cada pessoa ali se sente especial.
A noite passada foi uma delícia! Conheci pessoas maravilhosas, como o Seu Luís, a Miriam e sua família, o Armando, o Mauro, a Alessandra e vários outros que dividiram comigo suas histórias com o bar. Cantaram, brindamos, comemos, rimos. Foi realmente uma noite muito gostosa e um bar muito gostoso. Se tiver que definir o Bar Léo, definiria como o bar dos amigos. Você pode até chegar lá sozinha, mas se tiver disposta a conhecer gente legal, com certeza sairá de lá com alguns bons amigos.
Ah! Para quem ainda não sabe, hoje quem administra o Bar Léo é o mesmo pessoal do Bar Brahma. O clima é de festa e o Bar Léo é praticamente um patrimônio de São Paulo, né? Fica a super dica pessoal
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Bar Léo
Rua Aurora, 100 – Santa Efigênia – São Paulo, SP – (11) 3221-0247 – Mapa
- $$$ (de R$ 51,00 a R$ 100,00)
*Gostaria de agradecer a Sociedade da Cerveja e o Bar Léo pelo convite.